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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Fala
É a utilização oral da língua pelo indivíduo. É um ato individual, pois cada indivíduo, para a manifestação da fala, pode escolher os elementos da língua que lhe convém, conforme seu gosto e sua necessidade, de acordo com a situação, o contexto, sua personalidade, o ambiente sociocultural em que vive, etc. Desse modo, dentro da unidade da língua, há uma grande diversificação nos mais variados níveis da fala. Cada indivíduo, além de  conhecer o que fala, conhece também o que os outros falam; é por isso que somos capazes de dialogar com pessoas dos mais variados graus de cultura, embora nem sempre a linguagem delas seja exatamente como a nossa. 
Níveis da fala
Devido ao caráter individual da fala, é possível observar alguns níveis:
Nível coloquial-popular: é a fala que a maioria das pessoas utiliza no seu dia a dia, principalmente em situações informais. Esse nível da fala é mais espontâneo, ao utiizá-lo, não nos preocupamos em saber se falamos de acordo ou não com as regras formais estabelecidas pela língua.
Nível formal-culto: é o nível da fala normalmente utilizado pelas pessoas em situações formais. Caracteriza-se por um cuidado maior com o vocabulário e pela obediência às regras gramaticais estabelecidas pela língua.
Signo
O signo linguístico é um elemento representativo que apresenta dois aspectos: o significado e o significante. Ao escutar a palavra cachorro, reconhecemos a sequência de sons que formam essa palavra. Esses sons se identificam com a lembrança deles que está em nossa memória. Essa lembrança constitui uma real imagem sonora, armazenada em nosso cérebro que é o significante do signo cachorro. Quando escutamos essa palavra, logo pensamos em um animal irracional de quatro patas, com pelos, olhos, orelhas, etc. Esse conceito que nos vem à mente é o significado do signo cachorro e também se encontra armazenado em nossa memória.
Ao empregar os signos que formam a nossa língua, devemos obedecer às regras gramaticais convencionadas pela própria língua. Desse modo, por exemplo, é possível colocar o artigo indefinido um diante do signo cachorro, formando a sequência um cachorro, o mesmo não seria possível se quiséssemos colocar o artigo uma diante do signo cachorro. A sequência uma cachorro contraria uma regra de concordância da língua portuguesa, o que faz com que essa sentença seja rejeitada. Os signos que constituem a língua obedecem a padrões determinados de organização. O conhecimento de uma língua engloba tanto a identificação de seus signos, como também o uso adequado de suas regras combinatórias.
signo = significado (é o conceito, a ideia transmitida pelo signo, a parte abstrata do signo) + significante (é a imagem sonora, a forma, a parte concreta do signo, suas letras e seus fonemas)

Língua: conjunto de sinais baseado em palavras que obedecem às regras gramaticais.
Signo: elemento representativo que possui duas partes indissolúveis:  significado e significante.
Fala: uso individual da língua, aberto à criatividade e ao desenvolvimento da liberdade de expressão e compreensão.
Homônimos
São palavras que possuem a mesma pronúncia (algumas vezes, a mesma grafia), mas significados diferentes. Veja alguns exemplos no quadro abaixo:
acender (colocar fogo)
ascender (subir)
acento (sinal gráfico)
assento (local onde se senta)
acerto (ato de acertar)
asserto (afirmação)
apreçar (ajustar o preço)
apressar (tornar rápido)
bucheiro (tripeiro) buxeiro (pequeno arbusto)
bucho (estômago) buxo (arbusto)
caçar (perseguir animais) cassar (tornar sem efeito)
cegar (deixar cego) segar (cortar, ceifar)
cela (pequeno quarto) sela (forma do verbo selar; arreio)
censo (recenseamento) senso (entendimento, juízo)
céptico (descrente) séptico (que causa infecção)
cerração (nevoeiro) serração (ato de serrar)
cerrar (fechar) serrar (cortar)
cervo (veado) servo (criado)
chá (bebida) xá (antigo soberano do Irã)
cheque (ordem de pagamento) xeque (lance no jogo de xadrez)
círio (vela) sírio (natural da Síria)
cito (forma do verbo citar) sito (situado)
concertar (ajustar, combinar) consertar (reparar, corrigir)
concerto (sessão musical) conserto (reparo)
coser (costurar) cozer (cozinhar)
esotérico (secreto) exotérico (que se expõe em público)
espectador (aquele que assiste) expectador (aquele que tem esperança, que espera)
esperto (perspicaz) experto (experiente, perito)
espiar (observar) expiar (pagar pena)
espirar (soprar, exalar) expirar (terminar)
estático (imóvel) extático (admirado)
esterno (osso do peito) externo (exterior)
estrato (camada) extrato (o que se extrai de algo)
estremar (demarcar) extremar (exaltar, sublimar)
incerto (não certo, impreciso) inserto (inserido, introduzido)
incipiente (principiante) insipiente (ignorante)
laço (nó) lasso (frouxo)
ruço (pardacento, grisalho) russo (natural da Rússia)
tacha (prego pequeno) taxa (imposto, tributo)
tachar (atribuir defeito a) taxar (fixar taxa)
Homônimos Perfeitos
Possuem a mesma grafia e o mesmo som.
Por Exemplo:
Eu cedo este lugar para a professora. (cedo = verbo)
Cheguei cedo para a entrevista. (cedo = advérbio de tempo)
Atenção:
Existem algumas palavras  que possuem a mesma escrita (grafia), mas a pronúncia e o significado são sempre diferentes. Essas palavras são chamadas de homógrafas e são uma subclasse dos homônimos. Observe os exemplos:
almoço (substantivo, nome da refeição)
almoço (forma do verbo almoçar na 1ª pessoa do sing. do tempo presente do modo indicativo)

gosto (substantivo)
gosto (forma do verbo gostar na 1ª pessoa do sing. do tempo presente do modo indicat
2- Significação das Palavras
Quanto à significação, as palavras são divididas nas seguintes categorias:
Sinônimos
As palavras que possuem significados próximos são chamadas sinônimos. Exemplos:
casa - lar - moradia - residência
longe - distante
delicioso - saboroso
carro - automóvel
Observe que o sentido dessas palavras são próximos, mas não são exatamente equivalentes. Dificilmente encontraremos um sinônimo perfeito, uma palavra que signifique exatamente a mesma coisa que outra.
Há uma pequena diferença de significado entre palavras sinônimas. Veja que, embora casa e lar sejam sinônimos, ficaria estranho se falássemos a seguinte frase:
Comprei um novo lar.
Obs.: o uso de palavras sinônimas pode ser de grande utilidade nos processos de retomada de elementos que inter-relacionam as partes dos textos.
Antônimos
São palavras que possuem significados opostos, contrários. Exemplos:
mal / bem
ausência / presença
fraco /  forte
claro / escuro
subir / descer
cheio / vazio
possível / impossível
Polissemia
Polissemia é a propriedade que uma mesma palavra tem de apresentar mais de um significado nos múltiplos contextos em que aparece. Veja alguns exemplos de palavras polissêmicas:
cabo (posto militar, acidente geográfico, cabo da vassoura, da faca)
banco (instituição comercial financeira, assento)
manga (parte da roupa, fruta)
Língua Falada e Língua Escrita
Não devemos confundir língua com escrita, pois são dois meios de comunicação distintos. A escrita representa um estágio posterior de uma língua. A língua falada é mais espontânea, abrange a comunicação linguística em toda sua totalidade. Além disso, é acompanhada pelo tom de voz, algumas vezes por mímicas, incluindo-se fisionomias. A língua escrita não é apenas a representação da língua falada, mas sim um sistema mais disciplinado e rígido, uma vez que não conta com o jogo fisionômico, as mímicas e o tom de voz do falante.
No Brasil, por exemplo, todos falam a língua portuguesa, mas existem usos diferentes da língua devido a diversos fatores. Dentre eles, destacam-se:
Fatores regionais: é possível notar a diferença do português falado por um habitante da região nordeste e outro da região sudeste do Brasil. Dentro de uma mesma região, também há variações no uso da língua. No estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, há diferenças entre a língua utilizada por um cidadão que vive na capital e aquela utilizada por um cidadão do interior do estado.
Fatores culturais: o grau de escolarização e a formação cultural de um indivíduo também são fatores que colaboram para os diferentes usos da língua. Uma pessoa escolarizada utiliza a língua de uma maneira diferente da pessoa que não teve acesso à escola.
Fatores contextuais: nosso modo de falar varia de acordo com a situação em que nos encontramos: quando conversamos com nossos amigos, não usamos os termos que usaríamos se estivéssemos discursando em uma solenidade de formatura.
Fatores profissionais: o exercício de algumas atividades requer o domínio de certas formas de língua chamadas línguas técnicas. Abundantes em termos específicos, essas formas têm uso praticamente restrito ao intercâmbio técnico de engenheiros, químicos, profissionais da área de direito e da informática, biólogos, médicos, linguistas e outros especialistas.
Fatores naturais: o uso da língua pelos falantes sofre influência de fatores naturais, como idade e sexo. Uma criança não utiliza a língua da mesma maneira que um adulto, daí falar-se em linguagem infantil e linguagem adulta.
Língua
A Língua é um instrumento de comunicação, sendo composta por regras gramaticais que possibilitam que determinado grupo de falantes consiga produzir enunciados que lhes permitam comunicar-se e compreender-se. Por exemplo:
falantes da língua portuguesa.
A língua possui um caráter social: pertence a todo um conjunto de pessoas, as quais podem agir sobre ela. Cada membro da comunidade pode optar por esta ou aquela forma de expressão. Por outro lado, não é possível criar uma língua particular e exigir que outros falantes a compreendam. Dessa forma, cada indivíduo pode usar de maneira particular a língua comunitária, originando a fala. A fala está sempre condicionada pelas regras socialmente estabelecidas da língua, mas é suficientemente ampla para permitir um exercício criativo da comunicação. Um indivíduo pode pronunciar um enunciado da seguinte maneira:
A família de Regina era paupérrima. Outro, no entanto, pode optar por: A família de Regina era muito pobre.
As diferenças e semelhanças constatadas devem-se às diversas manifestações da fala de cada um. Note, além disso, que essas manifestações devem obedecer às regras gerais da língua portuguesa, para não correrem o risco de produzir enunciados incompreensíveis como:
Família a paupérrima de era Regina.
1- Linguagem
   É a capacidade que possuímos de expressar nossos pensamentos, ideias, opiniões e sentimentos. A Linguagem está relacionada a fenômenos comunicativos; onde há comunicação, há linguagem. Podemos usar inúmeros tipos de linguagens para estabelecermos atos de comunicação, tais como: sinais, símbolos, sons, gestos e regras com sinais convencionais (linguagem escrita e linguagem mímica, por exemplo). Num sentido mais genérico, a Linguagem pode ser classificada como qualquer sistema de sinais que se valem os indivíduos para comunicar-se.
Tipos de Linguagem
A linguagem pode ser:
Verbal: a Linguagem Verbal é aquela que faz uso das palavras para comunicar algo.
agua potavel.gif (2569 bytes)area em manutencao.gif (2805 bytes)
As figuras acima nos comunicam sua mensagem através da linguagem verbal (usa palavras para transmitir a informação).
Não Verbal: é aquela que utiliza outros métodos de comunicação, que não são as palavras. Dentre elas estão a linguagem de sinais, as placas e sinais de trânsito, a linguagem corporal, uma figura, a expressão facial, um gesto, etc.

proibido fumar.jpg (2627 bytes)enrolamento direita.jpeg (5143 bytes)
Essas figuras fazem uso apenas de imagens para comunicar o que representam.

sobre um termo muito comum nos enunciados de provas. Lá, nas propostas dos concursos, é comum aparecer: "obedeça à norma culta da Língua Portuguesa". Ao ler isso, corre-se o risco de cair no equívoco de interpretação, acreditando-se que escrever obedecendo-se à norma "culta"  seria o equivalente a escrever "difícil" ou "complicado". Nada disso! O que ocorre é que existem, basicamente, dois níveis ou padrões de linguagem – a linguagem culta ou formal e a linguagem coloquial (ou informal).
Linguagem culta ou formal -> caracterizada pela correção gramatical, ausência de termos regionais ou gírias, bem como pela riqueza de vocabulário e frases bem elaboradas. Salvo raras exceções, é a linguagem dos livros, jornais, revistas e, é claro, a linguagem que você deverá empregar em sua prova.
Linguagem coloquial -> é aquela que usamos no dia-a-dia, nas conversas informais com amigos, no bate-papo e no bilhete para a empregada ou para o filho que irá chegar, com as instruções para o jantar. Descontraída, dispensa formalidades e aceita gírias, diminutivos afetivos e termos regionais.
Quais são os únicos seres vivos potencialmente imortais da Terra? Errou feio quem colocou árvores ou tartarugas na resposta. Em condições ideais, são as humildes bactérias as únicas criaturas a não morrer. Se você der a esses micróbios comida à vontade e ambiente aconchegante, elas simplesmente se multiplicam sem parar, dividindo suas células únicas em novos “clones”. É claro que essa multiplicação leva à competição entre “mães” e “filhas” e muitas acabam morrendo, mas não há nada inevitável nisso. A morte, ao que tudo indica, é uma doença sexualmente transmissível.
Parece maluco, mas talvez seja a mais pura verdade. Os biólogos andam descobrindo que os eventos que levam à velhice e à morte não são um programa detalhado de autodestruição, tal como acontece com a programação genética que envolve o nascimento e o crescimento dos seres vivos complexos. Se eles estiverem certos, morrer seria só um efeito colateral um tanto desagradável da necessidade de se reproduzir com a ajuda de outro indivíduo da mesma espécie, num mundo de recursos limitados.
FAZENDO AS CONTAS
Ainda há dúvidas sobre o porquê de o sexo ter se tornado tão importante para os seres vivos. Mas, uma vez estabelecido, ele forçou os organismos, de certo modo, a “fazerem as contas” em relação à própria sobrevivência. (De forma inconsciente, é claro; o que parece controlar o mecanismo é apenas o sucesso ou fracasso reprodutivo de cada indivíduo.)
Num mundo sexual, a única chance de um bicho, planta ou fungo passar seus genes adiante é misturando-os com os de outro indivíduo. Acontece que não dá para fazer tudo ao mesmo tempo: o organismo precisa “decidir” quanta energia gastar para continuar vivo até achar um parceiro, e quanto dessa energia vale a pena investir no sexo e nos filhotes que virão a partir dele. Se a criatura em questão for relativamente indefesa e viver correndo de predadores, vale a pena se reproduzir logo e produzir ninhadas enormes, porque o risco de morrer antes disso é gigante. Por outro lado, se a espécie não tem inimigos naturais, compensa fazer tudo com mais calma.
Isso explica por que camundongos e ratos vivem pouquíssimo, enquanto bichos do mesmo tamanho, mas voadores (como aves e morcegos), chegam a demorar até 10 vezes mais para morrer de velhice, porque são presa menos fácil. O mesmo acontece com animais grandalhões, que quase nenhuma outra criatura consegue caçar, como baleias e elefantes. Ao mesmo tempo, as criaturas de vida longa têm muito menos filhotes, que demoram mais a crescer. O que acontece é que pelo menos alguns genes que favorecem o potencial reprodutivo na juventude também acabam conduzindo à morte na velhice, mas, como o indivíduo já deixou descendentes mesmo, a ação “ruim” deles não é barrada pela seleção natural. Aparentemente, não dá para ter uma coisa boa sem a outra coisa, ruim.
Alguns estudos, contudo, têm mostrado que é possível “enganar” o corpo e fazê-lo adiar o envelhecimento. Roedores e vermes submetidos a uma dieta de fome, por exemplo, ou com órgãos sexuais retirados, vivem muito mais – no caso de certos vermes, o equivalente a uma pessoa com uns 600 anos de idade. É como se o organismo “sentisse” que o ambiente está hostil e pouco favorável à reprodução (ou que não vai se reproduzir mesmo, no caso dos castrados) e dirigisse todas as energias à autopreservação. Já há cientistas falando em usar o conceito para tentar “engenheirar” a imortalidade humana ou, ao menos, aumentar drasticamente a nossa longevidade.
Sobreviva
1. Seja grande:
Bichos com tamanho corporal maior também tendem a viver mais tempo.
2. Não tenha inimigos:
Criaturas sem predadores podem envelhecer naturalmente mais devagar que presas fáceis.
3. Transe tarde:
Demorar para se reproduzir é outro remédio tiro e queda contra a velhice.
4. Coma pouco:
É a chamada restrição calórica. Sem ficar desnutrido, devore só o mínimo.
Apoptose é o nome dado à morte programada de células. Trata-se do único processo de senescência “deliberada” entre os seres vivos.

Estudar para que


23/03/2007
Carta da semana


ESTUDAR PaRA QUÊ? O QUE O FUTURO ME RESERVA?



"Este artigo tem como principal motivação uma dúvida que atormenta tantos estudantes: "Estudar para quê?" Por que devo ir à escola? Aonde irei chegar com os conhecimentos que me são legados através da educação? Todo o esforço que realizamos ao longo de vários anos que resultado tem para nossas vidas futuras?
Essa é uma questão que está na cabeça de nove em cada dez alunos que entram nas escolas brasileiras, principalmente a partir da 5ª série (ou 6º ano) do ensino fundamental. Coincidentemente, é a partir desse momento que esses alunos começam a perceber que a escola é sempre a mesma desde o momento em que nela entraram, ainda na educação infantil.
E é muito provável que essa dúvida surja em associação com o próprio descrédito que a instituição escolar passa a ter perante esses estudantes em virtude de seu imobilismo, falta de criatividade, desconexão com os acontecimentos do mundo e ausência de vigor e de maior interesse pela vida.
Acho, portanto, que essa questão levantada pelos estudantes direciona-se não só a eles mesmos, mas principalmente aos pais e educadores. É uma pergunta de inestimável valor. O que pretendemos fazer com nossas crianças, adolescentes e jovens que frequentam os bancos escolares durante períodos de 12 ou 15 anos?
Gostaria de me imaginar na pele de um menino ou de uma menina de 12 anos ou, quem sabe, até mesmo no auge da adolescência, aos 15 ou 16 anos... Influenciado pelos pais ou pelos professores, a resposta desse aluno(a) seria mais ou menos essa: "Estudo para que no futuro tenha condições de ter uma profissão e de me destacar dentro do ramo de trabalho que escolher".
Essa resposta, muito comum entre as ponderações dos estudantes, é dada com base em comentários, influências e sugestões de pais e professores. Seu caráter utilitarista indica uma tendência associada à própria lógica e dinâmica do mundo em que vivemos e do sistema sócio-econômico dominante, o capitalismo. Longe de mim utilizar o espaço para analisar as estruturas desse modo de produção. O que vale é a constatação de como há uma verdadeira camisa de força que nos indica os caminhos das escolhas profissionais desde a mais tenra idade.
Conheço casos de pais que desde as séries iniciais do ensino fundamental escolhem as escolas de seus filhos pensando na aprovação nos concorridos vestibulares das melhores universidades brasileiras para os cursos mais disputados, como medicina, direito, engenharia, administração. Não há nenhuma preocupação com a felicidade e a formação integral desses estudantes. E o que quero dizer com isso? Que carecemos de maior atenção aos aspectos humanizadores, aqueles que irão assentar as nossas relações com as outras pessoas e que, também, nos darão sustentação emocional e intelectual para compreender o mundo em que estamos inseridos.
Afinal de contas, de que adianta formar médicos, advogados ou engenheiros que conhecem muito de suas áreas de trabalho e que tecnicamente são impecáveis, se esses profissionais não são capazes de comunicar-se, interagir, respeitar e legar ao próximo (e a si mesmos) o valor, a dignidade, a simpatia e a felicidade? De que adianta a vida sem sensibilidade? Onde reside a felicidade se ela não está nas relações que estabelecemos com o mundo e com as pessoas? Não adianta apenas o domínio da técnica se não falamos ao coração, se não atingimos a alma.
O que se vê é um distanciamento entre a sala de aula e as ruas, a vida, as pessoas, os acontecimentos do dia-a-dia. Matemática que ensina tendo por base os mercados onde as famílias fazem suas compras; história ensinada nas praças públicas, no contato com as pessoas de mais idade, no exame do nome dado a ruas; português aprendido com o auxílio da música, do teatro ou de jornais diários; geografia entendida pelo passeio e observação dos processos produtivos ou das características naturais de um ambiente a partir de visitações; em suma, a escola precisa do mundo para se mostrar viva, atraente, envolvente e significativa para os estudantes.
Tornar a escola um espaço em que há uma preocupação demasiada com a formação profissional, o mercado de trabalho, o conforto futuro que todos desejam ter e a possibilidade de ter uma conta bancária polpuda não pode nunca ser o principal objetivo da sociedade e da educação. E, em muitos casos, é isso exatamente que está acontecendo. Trata-se de uma enorme irresponsabilidade de todos aqueles que são artífices e cúmplices desses acontecimentos.
A escola deve emancipar. A educação deve dar asas. Os professores têm que incentivar o espírito científico. Nas salas de aula temos que ensinar ética, respeito, civilidade. O ser humano íntegro, seguro, confiante e feliz deve ser o objetivo maior de todo e qualquer processo e realização educacional. Desse modo teríamos então respondido de um modo mais do que satisfatório à pergunta que inicia essa reflexão...",
João Luís Almeida Machado, professor universitário - profjoaoluis@planetaeducacao.com.br
CIDADÃO JORNALISTA é um espaço destinado aos leitores e ouvintes que ao relatarem fatos e experiências de sua cidade, comunidade e cotidiano, tornam-se repórteres por um momento.